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AMERICANAS


Para tomar nos braços a formosa
Por cujo amor incendiára a aldêa
Daquellas gentes pallidas de Europa.
Sente-lhe a moça as mãos, e erguendo o rosto,
O rosto inda de lagrymas molhado,
Do coração éstas palavras sólta:
«— La entre os meus, suave e amiga morte,
Ah! porque me não deste? Houvera ao menos
Quem escutasse de meus labios frios
A prece derradeira; e a santa benção
Levaria minha alma aos pes do Eterno...
Não, não te peço a vida; é tua, extingue-a;
Um so allivio imploro. Não receies
Embeber no meu sangue a ervada setta;
Mata-me, sim; mas leva-me onde eu possa
Ter em sagrado leito o último somno!»
Disse, e fitando no indio avidos olhos,
Esperou. Anagê sacode a fronte,
Como se lhe pesara ideia triste;
Crava os olhos no chão; lentas lhe sahem
Éstas vozes do peito.
               «Oh! nunca os padres
Pisado houvessem estas plagas virgens!
Nunca de um deus estranho as leis ignotas
Viessem perturbar as tribus, como