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POTYRA


Perturba o vento as aguas! Rosto a rosto
Os guerreiros pelejam; matam, morrem.
Ante o fulgor das armas inimigas
Não descora o tamoyo. Assaz lhe pulsa
Valor nativo e raro em peito livre.
Armas, deu-lh'as Tupan novas e eternas
Nestas mattas vastissimas. De sangue
Estranhos rios hão de, ao mar correndo,
Tristes novas levar á patria delles,
Primeiro que o tamoyo a frente incline
Aos inimigos peitos. Outra fôrça,
Outra e maior nos move a guerra crua;
São elles, são os padres. Esses mostram
Cheia de riso a boca e o mel nas vozes,
Sereno o rosto e as brancas mãos inermes
Ordens não trazem de cacique estranho,
Tudo nos levam, tudo. Uma por uma
As filhas de Tupan correm trás elles,
Com ellas os guerreiros, e com todos
A nossa antiga fe. Vem perto o dia
Em que, na immensidão destes desertos,
Ha de ao frio luar das longas noites
O pagé suspirar sozinho e triste
Sem povo nem Tupan!»