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POTYRA


Leito de sesta a amores fugitivos.
Da verde, rara abobada de folhas
Tepida e doce a luz coava a frouxo
Do sol, que além das arvores tranquillo,
Metade da jornada ia transpondo.
Longe era ainda a hora melancholica
Em que a geremma cerra a miuda folha,
E o lume azul o pyrilampo accende.
De pe, a um velho tronco descoroado
Da copada ramagem, resto apenas,
Vestigio do tufão, a indiana moça
Languidamente encosta o esbelto corpo.
Neste ameno recesso tudo é triste,
Porque é alegre tudo. Não mui longe
Um desfolhado ipê conserva e guarda
Flores que lhe ficaram de outro estio,
Como esperança de folhagem nova,
Flores que a desventura lhe ha negado,
A ella, alma esquecida nesta terra,
Que nada espera da estação vindoura.
Olha, e de inveja o coração lhe estalla;
Pelo tronco das árvores se enroscam
Parasitas, espôsas do arvoredo,
Mais fieis não, mais venturosas que ella.
Morrer? Descanço fôra ás maguas suas,