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AMERICANAS


Que desvalia aos olhos teus me coube,
Se a outro me ligaram natureza,
Religião, destino? A liberdade
Nas tuas mãos depuz; com ella a vida.
É tudo, quasi tudo. Honra de espôsa,
Oh! essa deves respeital-a! Vai-te!
Ceva teu odio nas sangrentas carnes
Do prostrado captivo. Aqui chorando,
Na soidão d′estes bosques mal fechados,
A's maviosas brisas meus suspiros
Entregarei; leval-os-hão nas azas
La onde geme solitario espôso.
Vai-te!» E as mimosas mãos colhendo ao rosto,
Alçou a Deus o pensamento amante,
Como a scentelha viva que a fogueira
Extincta aos ares sobe. Immovel, muda,
Longo tempo ficou. Diante d′ella,
Como ella immovel, o tamoyo estava.
Amor, odio, ciume, orgulho, pena,
Oppostos sentimentos se combatem
No attribulado peito. Generoso
Era, mas não domado amor lhe dava
Inspiração de crimes. Não mais prompto
Cae sobre a triste corça fugitiva
Jaguar de longa fome esporeado,