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Página:Ana Plácido - Herança de lagrimas (1871).pdf/11

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de, a pedirmos contas, seria á sociedade ou aos homens que as perverteram. Bom era que para taes almas houvesse mais commiseração, da parte d'essas outras que sahiram victoriosas em identicas pelejas.

Eu quero a mulher assim. Quero-a misericordiosa, doce, e singela como a flôr dos prados. Quero-lhe lagrimas para a miseria, e alegrias para os que se apaixonam de sua mão bemfaseja. Quero vêl-a scismadora, voltada ás nuvens prescrutando os mysterios indecifraveis da immensidade. Quero presentir-lhe o primeiro balbuciar de coração, quando este murmura baixinho: «Vem complemento do meu ser, não tardes. Vem, antes que o sopro da descrença me bafeje, e o anjo da desgraça queime meus labios com o ardor das paixões».

Pois queres tu saber, Henriqueta ? Eu, com os meus vinte e sete annos já feitos, adoro, tenho ainda destas visões immaculadas; é o meu thesouro este anciar virginal e sagrado, é este talvez, sem que eu mesmo o imagine, o rival de toda a imagem de homem que me preoccupa um momento.

Parece-te uma demencia remodellar-me eu assim? Será. Eu sinto uma tristeza, uma sau-