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Página:Ana Plácido - Herança de lagrimas (1871).pdf/5

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I
 
Dianna de Sepulveda a Henriqueta d'Aguiar
 

Eis-me, pois, caminho de Lisboa, minha querida Henriqueta. Pediste-me uma descripção minuciosa dos pequenos incidentes d'uma jornada de trinta e tantas legoas, e dos abalos, enlevos, ou fastios do meu coração. D'esté coração de que a tua graciosa e feliz bacharelice diz coisas tão feias, até descrer da sua individualidade, excepto quando o sentes pulsar junto do teu seio. Sou eu responsavel, mereço as accusações que me diriges, se algumas das fibras da minha alma se conservam fechadas no seu involtorio de gelo? O que eu não sei ainda bem, minha amiga, é se isto é um mal que me faz padecer, ou um bem que mé poupa a grandes magoas. Todavia, forçoso é confessal-o, a minha alma tem anceios de curiosas experiencias. Deus negoume um dos attributos felizes da humanidade: as