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Página:Angelina Vidal - Semana da Paixão (1907).pdf/6

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Semana de Paixão


São victimas sem culpa as ovelhinhas puras,
Que exgotam, a chorar, um calix de amarguras,
Amaryllis de amor, que a neve hoje amortalha;
São pedaços de vida, a quem, feroz, retalha
O braço fulminante, o braço disciplina.
Com musculos da Lei, e nervos da rotina.

Eu fui bater, Senhora, a esses corações
E ouvi a romaria, enorme, de afflicções
Que a Saudade conduz por lacrimosos mares,
E a duvida acorrenta á gleba dos pezares.

Eu vi... eu vi de pé a torre da agonia,
E o sineiro da morte, ao declinar do dia
Vibrar hereuleamente o funerario dobre!
Eu vi o que só vê quem ama, e quem descobre
No espirito que soffre, um pouco do seu segon
E assimilei, magoada, a dór que vos entrego,
Para que a demudeis em fonte de carinhos
Onde possam beber creanças e velhinhos;
Onder possa banhar-se a duvida remissa,
E onde vá reflectir-se a alma da Justiça.

Que a Justiça não é um Attila iracundo,
Que ponha a escorrer sangue o coração do mundo!


⁂



Foi um drama de febre; um caso excepcional.
N'esta decrepidez do genio nacional.
Uma aventura infausta, em rija marejada,
Deixando a debater-se inerme e naufragada
A visão do futuro a tantos inditosos,
Tão credulos na acção dos philtros milagrosos,
Que não souberam vêr na logica das cousas
O que teriam visto as mães e us esposas...
E a quem ninguem contou, nem mesmo para rir-se,
Como Ulysses logrou não dar ouvido a Circe.