Página:Ao correr da pena.djvu/292

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se confundem, as convicções vacilam, e os homens não se entendem, porque falta o pensamento superior, a idéia capital, que deve traçar a marcha do governo.

A política e a administração, deixando de ser um sistema, reduziram-se apenas a uma série de fatos que não são conseqüência de nenhum princípio, e que derivam apenas das circunstâncias e das necessidades do momento.

A conciliação apresentada como programa pelo ministério atual ficou sem realização.

Foi apenas um meio transitório a que se recorreu quando sentiu-se a necessidade de criar esperanças, que foram depois iludidas.

Todos os sintomas, pois, indicam que o organismo político, em que esteve o país, começa a fazer crise. Deste caos de opiniões, de idéias, de teorias, de convicções mortas e de opiniões que se vão criando, há de necessariamente sair um elemento novo, uma combinação de princípios que deve formar um grande partido.

Quais devem ser as tendências e as bases fundamentais dessa nova política? Quais serão as idéias, as reformas e os melhoramentos que constituirão o seu programa de governo?

É difícil, é quase impossível dize-lo; mas parece-me que a conciliação, que o ministério não conseguiu realizar nos homens, se há de operar nesta confusão de idéias extremas que deve formar o novo partido.

Há certos fatos necessários, que não dependem da vontade humana, e que entretanto podem ser dirigidos e modificados por ela.

Na época atual, o aparecimento de um partido filho das antigas facções políticas que dividiram o país, é uma necessidade, é uma conseqüência fatal do estado de coisas.

Cumpria, pois, que os homens eminentes que podem de alguma maneira imprimir a sua vontade nos acontecimentos tomassem a iniciativa, e, criando os elementos desse novo partido, lhe dessem uma influência benéfica e salutar.