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Página:Apontamentos de Psychologia.pdf/11

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cias. A intensidade de um acto sensitivo (da vista p. ex.) pode soffrer a influencia da distancia, mas não o acto como sensitivo. Com mais razão ainda applica-se este argumento aos actos sensitivos de odio...

A superioridade do ser sensitivo manifesta-se, pois, de muitos modos. Só elle tem consciencia de si e consciencia da existencia do mundo, só a actividade delle é immanente (alem da actividade vegetativa) dirigida para o proprio bem, só elle reproduz o resto do mundo pelas faculdades cognoscitivas, só elle pode com independencia completa do mundo exterior crear, pela imaginação, existencias novas, a acção delle é a unica que não depende do espaço.

Pelo que precede fica provado que um principio supramaterial (i. é, de ordem superior às forças da materia bruta), deve concorrer para o acto da sensação. A necessidade de um principio material é provada pela experiencia. Estes dois principios juntos formam o principio total: o orgão sensitivo vivo.

VI Unidade e simplicidade do principio vital
(dos animaes)

 

1. Não ha nos animaes senão um só principio para a dupla vida sensitiva e vegetativa. (O "vitalismo" suppõe duas almas, Platão, no homem, tres almas).

Argumento: a união entre as duas vidas vegetativa e sensitiva é tão harmonica, perfeita e constante que não pode ser o effeito de duas almas separadas. (a) As funcções da vida vegetativa produzem os orgãos da vida sensitiva, e esta, por sua vez, provê ás necessidades daquella. (fome...) (b) Actividade muito forte da vida sensitiva suspende as funcções da vida vegetativa (dor!) (c) Principiam juntos, desenvolvem-se e acabam juntos. (d) Alem disso não é scientifico suppor dois principios onde um só basta para explicar os phenomenos.

2. A alma do animal não tem subsistencia propria, ella subsiste como parte substancial do animal todo. E՚ chamada "substancia incompleta ou parcial" — e a mesma palavra applica-se ao corpo — porque só com o corpo perfaz uma substancia completa. E՚ chamada tambem "material", porque na sua existencia depende intrinsecamente da materia (não como se fosse feita de materia); ou "forma substancial", porque formando com a materia uma substancia nova, constitue este ser novo numa categoria superior. (As formas accidentaes deixam a substancia na sua categoria.)

Argumento. Essencia e actividade de um ser estão sempre em proporção necessaria. (São da mesma ordem). Ora toda a actividade do animal é intrinsecamente dependente da materia, como segue do N.° IV acima. Logo tambem a alma do animal.

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