Introducção
XLV
ve, e chega a ſer auſtero, e ſempre expreſſivo, e ſignificante; mas tão préſſo, e conciſo, que nem huma ſó palavra eſcreve para ornamento, e dá ſempre muito mais a penſar do que diz.
Sobre as couſas da obſcuridade de alguns lugares da Poetica.
He verdade que por iſſo meſmo alguns lugares da Poetica são obſcuros, e difficeis, porque a extrema brevidade, com que elle eſcreve, o faz algum tanto ſubtil, e difficil; pelo que pede hum Leitor muito attento, ſoffredor de trabalho, coſtumdo mais ás couſas, do que ás palavras, e que penſe ainda mais do que lê: mas tambem he certo, que outras couſas concorrem para eſta obſcuridade; porque primeiramente Ariſtoteles vio-ſe obrigado a dar algumas vezes a huma parte das ſuasex-