Página:As Minas de Prata (Volume V).djvu/320

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uma vez por milagre e essa contra mim. Deita a fugir e nem se lembra, como o cão, de seguir o faro da presa que lhe escapa!

O visitador proferiu estas palavras medindo a passos largos o soalho de sua cela:

— Mas a campanha não está perdida, não. A vida, a liberdade e o amor pugnam por mim naquele coração de mancebo!

Mandara o jesuíta chamar João Fogaça, carta maior que guardara para a última vasa. O capitão de mato, alguma coisa surpreso desse chamado, acudiu não obstante. Molina o recebeu com a cortesia devida a uma pessoa de tantos predicados:

— Tomei a liberdade de incomodar-vos, Senhor João Fogaça, para saber de vós se estais disposto a prestar um esforço em prol da Companhia, de que sois irmão?

— Irmão... eu?... Estou que vos enganais, P. Mestre!...

— Como é possível, se aqui tenho à mão o assento que vos diz respeito!... Jurado em 5 de abril de 1607.

— Ah! já sei!... Um dia no sertão encontrei um bom padre, que costumava viajar por aqueles desertos só com seu corpo, e um bordão por companheiro e uma sacola