Página:As organizações no ciberespaço.djvu/57

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nas relações cotidianas, portanto estabelece a razão existente nesse ambiente e que se baseia na comunicação, não, como um instrumento entre um sujeito e um objeto, mas, sim, como uma razão comunicativa na busca do entendimento comum e do consenso compartilhado.

Para Iarozinski (2000), "a razão comunicativa faz parte do mundo vivido, o qual é formado por símbolos que nascem das interações e vivências entre os sujeitos, e que são transmitidos de gerações a gerações pela atividade comunicacional." (IAROZINSKI, 2000, p.25)

Portanto, a razão comunicativa propicia um auto-conhecimento, em virtude da liberdade e entendimento alcançados através das relações de uma socialização comunicativa entre os indivíduos.

Ainda de acordo com a autora,

"ao elaborar a Teoria da Ação Comunicativa, Habermas parte de uma filosofia que trata do ser humano, enquanto sujeitos ou atores dotados de linguagem e que são movidos para a compreensão dos fatos através dos três mundos, quais sejam: o mundo objetivo (como o conjunto de todas as entidades sobre as quais são possíveis enunciados verdadeiros); o mundo social (como o conjunto de todas as relações interpessoais codificadas por regras); e o mundo subjetivo (como o conjunto das experiências vividas às quais o falante tem um acesso privilegiado)." (IAROZINSKI, 2000, p. 30)

É no mundo da vida que os sujeitos chegam a um entendimento sobre os outros mundos através do processo comunicativo.

Para Habermas (2003), uma sociedade civil oriunda do mundo da vida deve utilizar-se do poder comunicativo, ou seja, a capacidade de impor sua vontade à vontade contrária de outros através do processo de um discurso orientado ao consenso.

Nesse contexto, uma liberdade comunicativa só existirá entre atores que desejam entender-se sobre algo com tomadas de posição frente questões de validade levantadas de forma recíproca, enfim deve haver uma pré-disposição ao consenso, ainda que este não ocorra.

"uma vez que os sujeitos que agem comunicativamente se dispõem a ligar a coordenação de seus planos de ação a um consentimento apoiado nas tomadas de posição recíprocas em relação a pretensões de validade e no reconhecimento dessas pretensões, somente contam com os argumentos que podem ser aceitos em comum pelos partidos