Página:As organizações no ciberespaço.djvu/72

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comunitária dos problemas, governança eletrônica e, num plano mais utópico, democracia direta;

  • culturais: criação coletiva, não-separação entre a produção, e liberdade do conhecimento com

diminuição das restrições para difusão e interpretação das obras.

Nesse contexto,

"podemos entender que a inteligência coletiva se constrói através do diálogo de saberes. O diálogo entre os saberes diversos pode permitir o estabelecimento de consensos que se apoiam sobre os elementos do mundo da vida, permitindo aos indivíduos compartilhar seus planos de ação e fomentar a ação comunicativa que é a responsável pela coordenação do ato social. A ação voltada ao entendimento pressupõe a existência de um espaço democrático de construção, potencializado pela ação crítica que vai desencadear a capacidade de construção crítica do pensamento e da ação." (BRENNAND apud MEDEIROS, 2001)

Portanto, as coletividades cognitivas se auto-organizam, se mantêm e se transformam através do envolvimento de seus componentes. Levy (1993) ressalta que pensar é um devir coletivo onde seres humanos se misturam com as coisas, uma vez que tais coisas tem seu papel nos coletivos pensantes.

Segundo Silveira (2001), é a construção de coletivos inteligentes — capazes de qualificar as pessoas para a economia e as maneiras de socialização que surgem na cibercultura — que permitirá ao indivíduo o uso de ferramentas de compartilhamento de conhecimento para exigir direitos, alargar a cidadania e melhorar as condições de vida. Sendo esse modelo de organização social um grande potencial do ciberespaço para a diminuição do abismo social da atualidade.

O autor ainda indica a sinergia proporcionada por essa arquitetura digital tem enormes potencialidades de transformação social, pois a

"sinergia — integração, auxílio mútuo e troca de conhecimentos e experiência -- é uma das explicações que o sociólogo espanhol Manuel Castells dá para o advento e desenvolvimento da Terceira Revolução Tecnológica ter ocorrido em uma reduzida região do oeste dos Estados Unidos, o Vale do Silício." (SILVEIRA, 2001, p.22)

Castells, grosso modo, é o teórico que usou o termo "sociedade em rede" para explicar a maneira como as relações se dão no mundo atual, sobretudo após a consolidação das relações mediadas pelos computadores, ou ainda, a emergência da cibercultura.