Página:As relações luso-brasileiras.pdf/108

Wikisource, a biblioteca livre
Saltar para a navegação Saltar para a pesquisa
106

A legislação commercial e civil! Como conciliar os dois povos, sob esses aspectos do direito, se emquanto lá no Brasil tudo tende a amoldar-se ao regimen politico e ás instituições sociaes e juridicas do continente — como deixámos exposto — cá em Pontugal nada caminha para a democracia, tudo retrocéde para o absolutismo de ha um século?

Ide pedir a um cidadão affeito á garantia do habeas-corpus que se desole della e acceite as delicias do inquisitorial Juizo de Instrucção Criminal, alli á Parreirinha…

Chamae os lavradores de um paiz em que existe o credito real e o credito agricola, a mobilisação do valor da terra e do valor da producção, e perguntae-lhes se lhes apraz voltar á condição dos agricultores do nosso Alémtejo…

Invertei, fporém, os papeis e vereís como o alémtejano corre ebril e esperançado a abraçar as instituições que florescem nos paizes da America e como o lisboeta acolhe com enthusiasmo o habeas-corpus


Mas os factos affirmam que dependemos economicamente do Brasil, que convém ao Brasil o colono português e que, além da lingua, ha poderosos vínculos, principalmente de ordem affectiva e psychica, entre os dois paizes.

Queieremos, lá e cá, viver como uma só familia. Não haverá, para isso, razões de conveniencia e de interesse, mas ha razões de sentimento, a que os homens nunca se furtam.

O exemplo anglo-americano é característico. Quando foi da famosa nota comminatoria do gabinete de Washington ao de Londres a proposito de Venezuela e no tempo de Grover Cleveland, pareceu que o resfriamento ia abrir éra nova.

Puro engano!