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hypothese alguma, o Brasil nos concederá «vantagens especiaes que deixem de ser transmittidas aos outros estados, não sendo, portanto, attingidas pela clausula de nação mais favorecida inscripta nos tratados do Brasil com paizes estrangeiros».

E o café? E a borracha? E o tabaco? E o cacau? E toda a producção brasileira, no valor de 57 milhões de libras?

Lembremo-nos de que não consumimos meio milhão esterlino de productos brasileiros… Ponderemos as represalias alfandegarias a que o Brasil se exporia…

Amemo-nos; mas convém ter bom senso. Estreitemos relações; mas é prudente que nos não limitemos ao sonho.


Tambem se fala de entrepostos, do Brasil em Portugal e de Portugal no Brasil — aquelle destinado á exportação brasileira para a Europa e este destinado á portuguesa para a America…

É uma ideia velha. Velha e tão velha que já não se adapta ás condições presentes do commercio internacional.

Não se deu por isso em Portugal. É tudo assim na nossa terra. Andamos tão atrás dos outros povos que, quando as idéas nos chegam já têm saido da circulação. Chegamos sempre tarde, como os carabinetros da opereta.

O entreposto!

Ha trinta annos falou-se nisso; ha vinte, voltou-se a lembrar essa maravilha; ha dez, resurgia a idéa novinha em folha. Terá de apparecer, além desta vez de 1909, ainda algumas duzias de vezes e sempre terá — quem sabe? — enthusiasticos applausos…

O entreposto! Ficava realmente muito bem, alli, em Cacilhas! Os navios atulhados da borracha da Ama-