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neiro, o preclaro diplomata explicou a sua adhesão ao novo regimen pelo reconhecimento de que só com a Republica a sua patria podia realizar a parte que lhe compete na obra continental decorrente a doutrina de Monröe.

As novas instituições incorporaram o Brasil ao pan-americanismo.[1]

O exito republicano consolidou essa transformação e garantiu a continuidade de acção do espirito americano na vida nacional brasileira. Não ha duvida.

Vinte annos de democracia, num paiz em que não havia privilegios de casias, bastam ara tomar definitiva a abolição do velho systema politico, com todas as suas consequencias e para dar consistencia indestructivel á actual ordem politica e ás suas logicas illações sociaes.[2]


  1. «O pan-americanismo é uma obra de fraternização entre o pan-latinismo e o pan-saxonismo, despertando entre todos os povos da America a idea e o sentimento de um destino comum.» — Arthur Orlando — «Pan-Americanismo», Rio de Janeiro, 1906. Na nota 25, in fine, vide transcripção do «Estado de S. Paulo».
  2. Depois de lançadas no papel estas linhas, recebeu o auctor os jornaes brasileiros com as noticias das festas solennissimas com que foi celebrado, na Capital Federal, o 20.° anniversario do advento da Republica. Commentando a obra das novas intituições, diz o Jornal do Commercio, órgam das classes conservadoras da sociedade brasileira sempre de francas opiniões liberaes, mas em que pese a superficiaes julgadores, incontestavelmente republicano desde que o dirige o dr. Jose Carlos Rodrigues, espirito formado pela cultura americana e inglesa e que, ao mais intransigente individualismo, allia profundas convicções democraticas: «O regimen democratieo é o regimen da opinião e por ella se orienta, e, sendo a Republica a forma pura desse regimen acreditaram que a opinião brasileira, que a consagrou ha vinte annos, a mantem, a amparo, a defende e a estima.