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Levanta, pois, os teus olhos
Para o claro azul dos céos;
Lá verás anjos, e Deus,
Na terra só vês abrolhos.
Olha, ó moça, se é preciso
Que eu te adore, ah! eu te adoro;
Porém do peito deploro,
Não podêr dar-te um sorriso.
Amei; n’um céo de ventura
Já sonhei gozos infindos;
Mas toldou sonhos tão lindos
Da descrença a noite escura.
Quanto amei! só Deus o sabe:
Eu tenho uma alma de fogo;
Oh! findou-se o sonho logo,
Em meu peito amôr não cabe.
Já nem resta-me a esperança!
Apenas de quando em quando
Do passado um écho brando
Vem soar-me na lembrança.
Não chores, virgem, teu pranto
Vai derramar junto á cruz;
Prantos de um anjo de luz
Deus enxuga com seu manto.