Eu vou sentar-me á sós com as minhas mágoas,
Com os meus suspiros na fragosa crista
De um rochedo do mar;
Ali não vejo os homens;—sobre as aguas
Balança o céo,—nenhum batel se avista
No horizonte á vagar.
Então da vida as fontes não golfejam
Sangue,—converso á Deus dentro em minh’alma
Sem palavras do mundo:
E sinto esses momentos, que gottejam,
Como orvalho do céo, celeste calma
Do coração no fundo.
De lá derramo os olhos macerados
Por essas praias, onde outr’ora em fios
Correu do Indio o pranto:
Tristes! assim podesse eu dar meus fados
Por seu exilio nos sertões sombrios,
Da guaraponga ao canto!
Ali n’ harpa dos ermos entoára
Doces votos de amôr desconhecidos
A os bosques indianos;
Lá minha voz aos ventos espalhára
Já que só vi na terra fementidos
Os corações humanos.
Página:Aureliano José Lessa - Poesias posthumas (1873).pdf/130
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