E então quizera ter nas mãos o copo
Dos meus dias, de onde o desengano
Vasou-me as esperanças,
E quebrando-o á meus pés sôbre um cachôpo,
Sepultar para sempre no oceano
Minhas negras lembranças…
Em vão! Se meu olhar o céo percorre,
Encontra a face pallida da lua
Tão calma e tão contricta…
Então nos labios a blasphemia morre,
Então, Senhor, bemdigo a dôr, que estúa
Nesta minh’ alma afflicta.
Posso chorar, aqui não hão de o rosto
Voltar sorrindo os homens, deparando
Com o pranto em minha face;
Doce pranto de equivoco desgôsto,
Que as urnas do prazer e dor vasando
Casam em brando enlace.
Senhor! Possa de tuas mãos soltar-se
Meu élo extremo de existencia escura
Nestes bellos momentos!…
Deve a mente mais facil desatar-se
Da terra, e aos teus pés subir mais pura
De humanos pensamentos