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Página:Aureliano José Lessa - Poesias posthumas (1873).pdf/140

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cantavam, e soluçavam, estrangulando-se no meio de uma confusão infernal…

Elles rodavam em turmas por um sem conto de veredas baixas, elevadas, ou planas, escabrosas, ou frias, ou torradas.

— Onde estamos? — bradei. — Por onde correis?

— Na esperança! — Reboou um concêrto estrepitoso, dissono, e enthusiasta. E depois indigitaram-me as minhas fronteiras:

E eu descobri o futuro—áquem da felicidade—esvoaçando pela amplidão do horizonte immenso; e caminhei para lá…

Longo tempo estradei um dedalo de tramites cancellados em todas as direcções; e, quando mais proximo lobrigava o marco penultimo da romaria, galgava, sem saber como, as orlas do empório da esperança.

Então perguntei-lhes um por um o que era—a felicidade.

E eu escutei o infante, o velho, a mãi, a donzella, o amante, o soldado, a espôsa, o mercador, o sabio, o ignorante, o pai, o orphão, o padre, o rico, o pobre, o politico, o litterato, o cortezão, o rei, e o poeta:

Bem assim Platão, Erostrato, Epicuro, Democrito, Zenon, Heraclito, Confucio, Alexandre, Catão, Nero, Germanico, Iro, Créso, e as duas Lucrecias.