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A Terra
Seja a terra, Elle mandou,
E eu fui no profundo espaço;
Impelliu-me com seu braço,
E meu gyro começou:
O meu primitivo passo
Ao veloz tempo marcou
A origem da sua idade;
Eu rasguei a immensidade,
E Elle da eternidade
O immovel seio rasgou.
O Sol
Seja a luz, disse o Senhor,
E eu no abysmo rutilei,
Longe as trévas arrojei
Que occultam dos céos a côr;
E eu que sou do espaço rei,
Co’a luz dos olhares meus
A vida aos mortaes dardejo;
São estrêllas meu cortejo,
Do universo as molas rejo,
Mas regem-me as mãos de Deus!