Ir para o conteúdo

Página:Aureliano José Lessa - Poesias posthumas (1873).pdf/74

Wikisource, a biblioteca livre
— 54 —


A Terra


Seja a terra, Elle mandou,
E eu fui no profundo espaço;
Impelliu-me com seu braço,
E meu gyro começou:
O meu primitivo passo
Ao veloz tempo marcou
A origem da sua idade;
Eu rasguei a immensidade,
E Elle da eternidade
O immovel seio rasgou.

O Sol


Seja a luz, disse o Senhor,
E eu no abysmo rutilei,
Longe as trévas arrojei
Que occultam dos céos a côr;
E eu que sou do espaço rei,
Co’a luz dos olhares meus
A vida aos mortaes dardejo;
São estrêllas meu cortejo,
Do universo as molas rejo,
Mas regem-me as mãos de Deus!