Oh! a saüdade é filha de outros prados,
E procura nos céos a patria bella,
Refaz da vida os gyros palmilhados,
Sóbe ao seio de Deus, origem della.
E quem não sente no silencio d’alma
Uma lembrança vaga, indefinida,
De uma patria melhor, mais pura, e calma,
De uma existencia outr’ora já vivida?
A saüdade nasceu dessa lembrança,
Gravada n’alma em vaporosos traços;
Ella tambem é fonte da esperança,
Que em sonhos nos conduz de Deus aos braços.
Esperança e saüdade—eis os extremos
Desta mundana, ephemera viagem…
Não choremos um anno! não choremos
Da terra ao céo a rapida passagem!
Assim corram teus dias—tão suaves
Como a nuvem de Abril, tão deleitosos
Como de tarde o cantico das aves,
Galernos como os zephyros mimosos
Se hoje o sol doura.
Teu bello dia,
N’alma a alegria
E’ como o sol.