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Página:Aventuras de Diofanes.djvu/21

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De Diófanes. Liv. I.
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chegárão os barbaros ao ſeu porto, para onde o rigor da deſventura havia conduzido a Diófanes, e ſua deſconſolada familia, que tendo lugar para os magoados deſafogos, choravão a morte de Almeno, ſuſpiravão pela liberdade, e não perdião a lembrança dos cuidados, e amantes delirios de Arneſto, que com finiſſimos extremos havia pertendido a bella Hemirena. Não ſe ouvião naquelle deſembarque mais que os laſtimoſos clamores ao Ceo, com que huns ſe lembravão dos que havião deixado, e outros choravão ſua triſte eſcravidão. Diófanes, e Clymenea (a quem mais magoava a filha, que levavão) com inexplicavel conformidade a diſpunhão, para trocar os deſcanços pelas fadigas; e Hemirena diſcretamente afflicta animava a magoada mái, dizendo:

Suſpendei, Senhora, as correntes do amargo pranto, ſe acaſo mais vos affligem a meu reſpeito os pezados grilhões da eſcravidão: nem ſeja cruel deſpertador do voſſo cuidado a perigoſa idade, em que me vedes; que eu juro aos Deoſes, que me ſuſtentão, fazer ſempre acções dignas de quem teve lugar nas voſſas entranhas. A eſte tempo, em que as lagrimas, e ſuſpiros mais vivamente expreſſavão o ſentimento, ſe repartírão os eſcravos, negando a filha aos olhos da mái; e Diófanes, por chegar mal feri-

B
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