Página:Broqueis.pdf/85

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Entre vidraças, como n'uma estufa,
No inverno glacial de vento e chuva
Que sobre as telhas tamborila e rufa,
Vejo-a, talbada em nitidez de luva...

E faz lembrar uma exquisita planta
De profundos pomares fabulosos
Ou a angélica imagem de uma Santa
D'entre a auréola de nimbos religiosos.

A enfermidade vae-lhe, palmo a palmo,
Ganhando o corpo, como n'um terreno...
E com preludios mysticos de psalmo
Cae-lhe a vida em crepusculo sereno.

Jamais ha de ella ter a côr saudavel
Para que a carne do seu corpo góse,
Que o que tinha esse corpo de ineffavel
Crystalisou-se na tuberculose.

Fóge ao mundo fatal, arbusto débil,
Monja magoada dos estranhos ritos,
Ó tremula harpa soluçante, flébil,
Ó soluçante, flébil eucalyptus...