Subito, alçando o vôo o alado insecto,
Deixa a offegar o desolado infante.
Tal a Belleza com brilhantes côres
E fantasticas azas irrisadas
Attrahe o homem—a criança adulta,
Que lhe corre na treita. Essa corrida,
—Luta continua de receio e esp՚rança,—
Começa na loucura e acaba em pranto.
Si alguem as prende—á borboleta e á moça
Cabe destino igual.—Vida de angustias,
Coração, de que a paz ha desertado,
Eis quanto colhe do embeléco o infante,
Do capricho do adulto é tal o fructo.
Com tanto ardor seguida a borboleta,
Perde, quando apanhada, os seus encantos;
O contacto da mão lhe apaga as côres,
E, extincta c՚o o matiz toda a belleza,
Deixamol-a voar, ou vír á terra,
D՚aza quebrada e coração ferido,
Cada qual destas victimas illusas
Em que sitio achará calma e repouso ?
Hade, assim mutilada, a borboleta
Voar, qual dantes, da tulipa á rosa?
Póde a belleza, extincta em breves horas,
Em seu profano asylo haver descanço?
Não!... Em transito, insectos mais felizes
Hão de, piedosos, repousar o vôo
Junto á pobre, expirante companheira ?
Não! Quando uns olhos de mulher formosa
Mostraram compaixão, vertendo pranto
Por outra queda, que não seja a sua ?
Sempre insensiveis são á toda a magua,
Excepto á de uma irmã, que ha succumbido.
A alma, que guarda em si culposas dores
E cuja irritação friza o delirio,
E՚ semelhante a escorpião nas chammas.
Mais se restringe o eirculo brilhante
Quanto mais vivo o fogo do brazeiro.[14]
Cada vez mais de perto a chamma o envolve ;
Té que, pungido de intimas torturas,
Lança mão de seu ultimo recurso: