Voam; não temem o calor do estio.
Tardam do noivo os promettidos mimos.
Esfriou seu amor? Menos ligeiro
Galopa seu corcel ?... Não ha motivo
Para minha extranheza. Eu vejo um Tartano
Surgir no cimo da visinha serra;
Desce o declive, a passo cauteloso;
Eil-o no valle; traz no arção da sella
Os mimos... Accusei-o de tardança;
Injusta hei sido. Dadivosa, agora,
Da presteza e do afan vou compensal-o.»
Chega o Tartaro á porta do palacio ;
Mal se firma nos pés; o abatimento
Transluz-lhe nas feições ennegrecidas;
Póde bem ser effeito da fadiga.
Traz manchado de sangue o vestuario ;
Esse sangue é talvez de seu ginete.
Tira do seio o mimo esponsalicio
E á pobre mãi o entrega — Anjo da morte !
E՚ de Hassan o turbante, em dous fendido? [31]
« Mulher! Teve teu filho horrivel sorte!
Não por clemencia a vida me pouparam,
E sim para trazer-te este presente.
Paz ao bravo, que o sangue ha derramado,
Desgraça ao giaur. Foi delle o crime !»
Um turbante, esculpido em pedra simples,[32]
Uma columna, sobranceira ás moitas
De silva espessa, e em cuja face, apenas,
Se lê, quasi desfeito á acção do tempo,
O verso do Koran, sagrado ás campas—:
Eis quanto indica nosse algar deserto
O lugar, em que Hassan cahio, ferido.
Ahi dorme um dos melhores musulmanos
Desses, que Meca ajoelhados vira;
Que aos labios nunca poz vedada taça,
E a cada appello do muezzim, rezava,[33]
Voltando a face ao Tumulo Sagrado.
Prostrou-o, emtanto, a mão de um forasteiro,
E na terra natal morreu, luctando,
Com as armas na mão. Té hoje inultos
Estão seus manes. Si colheu vindicta,