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Página:Byron-Giaurpoema.pdf/32

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Si após á dór, a solidão nos cerca,
E՚ fraco, inefficaz qualquer allivio.
Ao nosso coração, triste e vasio,
Fôra grato o pungir de nova angustia.
Si outrem quinhão não tem no que sentimos,
Invade-nos o tedio; a propria dita,
Gozada só por nós, volve-se em magua.
Orphão o coração de sympathias,
No odio busca refugio. E՚ qual si o morto,
Sentindo sobre si reptil nojento,
Prestes a devorar-lhe a inerte argilla,
Não pudesse espancar o plumbeo somno
Para longe arrojar o hospede impuro.
Assim tamben ess՚ave do deserto,
Que, para alimentar os tenros filhos,
Rasga as entranhas e não chora a vida,
Que com o sangue seu nelles transfunde,
Si quando offerecesse o seio aberto,
Vasio achasse o ninho... A dor mais forte,
Que se póde curtir, é gozo intenso
Equiparado ao vacuo da existencia,
A՚ solidão, ao ermo esteril d՚alma.
Quem supportára um ceo sem sol, sem nuvens ?
Prefiro da borrasca o horror perenne,
A não ter de lutar com a vaga em furia,
A ver-me, quando o mar e os ventos jazem,
Naufrago sobre a praia do infortunio
E lento e só morrer fóra do mundo,
De longinqua enseada em mudo seio
E de lugubre calma rodeado.

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«Padre! Na paz teus annos deslizaram,
A contar orações em teu rosario.
A tantas culpas conceder indulto,
Sem remorsos curtir, sem outras penas,
Salvo esses leves, transitorios males,
Que são dos homens a commum partilha,
—Eis, desde a mocidade, o teu destino. —
Ao céo dás graças por viver isento
Dessas paixões indomitas, ferozes,
Que ouves no tribunal da penitencia,
E cuja historia sepultada guardas