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XVIII


SE ESCUTO...


Se escuto ao longe a timida harmonia
Da tua voz vibrante, modulando
Um cantico d'amor, ou suspirando
Em requebros profundos d'agonia;

Bebe minh'alma, então, a melodia
Que o labio teu, assim, vem distillando
E sabe Deus se, ali, sempre ficando
Minh'alma de beber se fartaria.

A tua voz serena é mais suave
Que o colo branco e puro d'uma ave
Que o seio mais gentil d'uma rainha.

Ai, viesses tu cantar, eternamente,
Sorrindo ou soluçando, docemente
Dentro do peito meu, ó alma minha!