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Página:Cancioneiro alegre de poetas portuguezes e brazileiros - Volume I (1887).djvu/22

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Cancioneiro Alegre

descabellados. Uns litteratos que já foram de maço e mona estão nas secretarias, estão nas suas casas a comer o paiz, a descascar os joanetes e a envelhecer n'um egoismo sordido. Tolhe-os uma desdenhosa indifferença por cousas litterarias. A Idéa Nova de vez em quando cita-os para os enxovalhar. Mendes Leal é o vate, Latino Coelho é o rhetorico, Antonio de Serpa é o cytharista dos soláos de 34. Como que esbatidos para dentro da idade média, nem são respeitados nem temidos na sua indolente cobardia.

Ora, cada jornal tem uma cellula em que esfervilha um recheio de ignorancia hostil á auctoridade. D'estas fermentações fumegam os effluvios, que, um dia, incensaram Theophilo, e n'outro dia Guerra Junqueiro. Os escriptores sérios a quem cumpria retardar pelo menos com o cauterio da zombaria o lavrar do cancro, esses fazem da politica uma philosophia de mais e um prato a maior na sua mesa. Para não comerem favas, trocam por lentilhas a dignidade das letras. São desprezados como merecem.

O snr. Guerra Junqueiro é actualmente um poeta inspirado de si mesmo. É o pellicano que se bica e pica nos seios da sua alma e sangra de lá a seiva de syllabas com que alimenta os seus filhos queridos os alexandrinos. Ha onze annos, todavia, não era elle tão estremadamente