Página:Caramuru 1781.djvu/198

Wikisource, a biblioteca livre
LXXV

A oito graus do equinócio se dilata
Pernambuco, província deliciosa,
A pingue caça, a pesca, a fruta grata,
A madeira entre as outras mais preciosa.
O prospeto, que os olhos arrebata
Na verdura das árvores frondosa,
Faz que o erro se escuse a meu aviso
De crer que fora um dia o paraíso.

LXXVI

Sergipe, então del-rei, logo o terreno
De que viste a beleza e perspectiva;
Nem cuido que outro visses mais ameno,
Nem donde com mais gosto a gente viva.
Clima saudável, céu sempre sereno,
Mitigada na névoa a calma ativa;
Palmas, mangues, mil plantas na espessura,
Não há depois do céu mais formosura.

LXXVII

A quinze graus do sul, na foz extensa
De um vasto rio, por ilhéus cortado,
Outra província de cultura imensa
Tem dos próprios ilhéus nome tomado:
Depois Porto Seguro, a quem compensa
O espaço da província limitado,
Outra de âmbito vasto, que se assoma,
E do Espírito Santo o nome toma.