Página:Chrysalidas.pdf/153

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É deste ermo que eu vou, alma desventurada,
Murmurar junto a ti a estrophe immaculada
Do amor que não perdeu, co'a ultima esperança,
Nem o intenso fervor, nem a intensa lembrança.

Sabes se te eu amei, sabes se te amo ainda,
Do meu sombrio céu alva estrella bemvinda!
Como divaga a abelha inquieta e sequiosa
Do cálice do lyrio ao calice da rosa,
Divaguei de alma em alma em busca deste amor;
Gota de mel divino, era divina a flor
Que o devia conter. Eras tu.
        No delirio
De te amar — olvidei as lutas e o martyrio;
Eras tu. Eu só quiz, n'uma ventura calma,
Sentir e ver o amor atravez de uma alma;
De outras bellezas vans não valeu o esplendor,
A belleza eras tu: — tinhas a alma e o amor.

Pelicano do amor, dilacerei meu peito,
E com meu proprio sangue os filhos meus aleito;
Meus filhos: o desejo, a chimera, a esperança;
Por elles reparti minh'alma. Na provança
Ella não fraqueou, antes surgio mais forte;