Página:Chrysalidas.pdf/76

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Mas desse estreito asylo, escuro e recatado,
Alegre has de fugir, que erguendo altivo brado,
A lyrica harmonia ha de ir-te despertar!

Verás de novo aberta a copiosa fonte!
Da poesia verás tão lucido o borisonte,
Que a mente não calcula, e onde se perde o olhar,
Que nas asas do genio, a voar pelo espaço,
Dá perna sacudindo o alexandrino laço,
Has de a mão bemdizer que o soube desatar.

Do precipicio foge, e segue a luz secreta,
Essa estrella polar dos sonhos do poeta;
Mas, n'outro verso, amigo, onde ao mago ideal
A musica se ligue, o senso e a verdade;
— N'um destes vai-se, a ler, da vida a immensidade
Da syllaba primeira á syllaba final!

Meu Deus! Esta existencia é transitoria e passa;
Se fraco fui aqui, peccando por desgraça;
Se já não tenho jus ao vosso puro amor;
Se nem da salvação nutrir posso a esperança,
Quero em chammas arder, soffrer toda a provança
— Ler verso alexandrino... Oh! isso não, Senhor


F. X. de Novaes.