Página:Chrysalidas.pdf/81

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Escolhe dos teus castigos
O que infundir mais terror,
Mas por ella, só por ella
Seja o meu padecimento,
E tenha o intenso tormento
Na intensidade do amor.

Deixa alimentar teus corvos
Em minhas carnes rasgadas,
Venham rochas despenhadas
Sobre meu corpo rolar,
Mas não me tires dos labios
Aquelle nome adorado,
E ao meu olhar encantado
Deixa essa imagem ficar

Posso soffrer os teus golpes
Sem murmurar da sentença;
A minha ventura é immensa
E foi em ti que eu a achei;
Mas não me apagues na fronte
Os sulcos quentes e vivos
Daquelles beijos lascivos
Que já me fizeram rei.