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Eras livre, — tão livre como as aguas
Do teu formoso, celebrado rio;
        A corôa dos tempos
Cingia-te a cabeça veneranda;
E a desvellada mãi, a irmã cuidosa,
        A santa liberdade,
Como junto de um berço precioso,
Á porta dos teus lares vigiava.

Eras feliz demais, demais formosa;
A sanhuda cobiça dos tyranos
Veio enluctar teus venturosos dias...
Infeliz! a medrosa liberdade
Em face dos canhões espavorida
Aos reis abandonou teu chão sagrado;
        Sobre ti, moribunda,
Viste cahir os duros oppressores:
Tal a gazella que percorre os campos,
        Se o caçador a fere,
Cahe convulsa de dôr em mortaes ancias,
        E vê no extremo arranco
        Abater-se sobre ella
Escura nuvem de famintos corvos.