Página:Como e porque sou romancista.djvu/22

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Lia-se até a hora do chá, e topicos havia tão interessantes que eu era obrigado á repetição. Compensavam esse excesso, as pausas para dar logar ás expansões do auditorio, o qual desfazia-se em recriminações contra algum máo personagem, ou acompanhava de seus votos e sympathias o heróe perseguido.

Uma noite, daquellas em que eu estava mais possuido do livro, lia com expressão uma das paginas mais commoventes da nossa bibliotheca. As senhoras, de cabeça baixa, levavam o lenço ao rosto, e poucos momentos depois não poderam conter os soluços que rompiam-lhes o seio.

Com a voz afogada pela commoção e a vista empanada pelas lagrimas, eu tambem cerrando ao peito o livro aberto, disparei em pranto e respondia com palavras de consolo ás lamentações de minha mãe e suas amigas.

Nesse instante assomava á porta um parente nosso, o Revd. Padre Carlos Peixoto de Alencar, já assustado com o choro que ouvira ao entrar — Vendo-nos á todos naquelle estado de afflicção, ainda mais perturbou-se:

— Que aconteceu? Alguma desgraça? perguntou arrebatadamente.

As senhoras, escondendo o rosto no lenço para occultar do Padre Carlos o pranto e evitar os