Página:Como e porque sou romancista.djvu/36

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tempo depois de minha partida, vingou-os desse inocente estratagema, com que nesse tempo eu libava a delícia mais suave para o escritor: ouvir ignoto o louvor de seu trabalho.

Que satisfação íntima não tive eu, quando um estudante que era então o inseparável amigo de Otaviano e seu irmão em letras, mas hoje chama-se o Barão de Ourém, releu com entusiasmo uma dessas poesias, seduzido sem dúvida, pelo nome de pseudo-autor! É natural que hoje nem se lembre desse pormenor; e mal saiba que todos os cumprimentos que depois recebi de sua cortesia, nenhum valia aquele espontâneo movimento.

Os dois anos seguintes pertencem à imprensa periódica. Em outra ocasião escreverei esta, uma das páginas mais agitadas da minha adolescência. Daí datam as primeiras raízes de jornalista; como todas as manifestações de minha individualidade, essa também iniciou-se no período orgânico.

O único homem novo e quase estranho que nasceu em mim com a virilidade, foi o político. Ou não tinha vocação para essa carreira, ou considerava o governo do estado coisa tão importante e grave, que não me animei nunca a ingerir-me nesses negócios. Entretanto eu saía de uma família para quem a política era uma religião e onde se haviam