perfectibilidade de uma parte do gênera humano autoriza o leitor a desconfiar que êle não sabe colocar-se acima de vistas parciais ou odiosas.
Os Índios (a raça cor de cobre) e sua história como parte da História do Brasil
[editar]Se os pontos de vistas gerais aqui indicados merecem a aprovação do historiador brasileiro, êle igualmente deverá encarregar-se da tarefa de investigar minuciosamente a vida e a história do desenvolvimento dos aborígenes americanos; e estendendo as suas investigações além do tempo da conquista, perscrutinará a história dos habitantes primitivos do Brasil, história que por ora não dividida em épocas distintas, nem oferecendo monumentos visíveis, ainda está envolta em obscuridade, mas que por esta mesma razão excita sumamente a nossa curiosidade.
Que povos eram aquêles que os portuguêses acharam na terra de Santa Cruz, quando êstes aproveitaram e estenderam a descoberta de Cabral? Donde vieram êles? Quais as causas que os reduziram a esta dissolução moral e civil, que neles não reconhecemos senão ruinas de povos? A resposta a esta e outras muitas perguntas semelhantes deve indubitàvelmente preceder ao desenvolvimento de relações posteriores. Só depois de haver estabelecido um juizo certo sôbre a natureza primitiva dos autóctones brasileiros, poder-se-á continuar a mostrar, como se formou o seu estado moral e físico por suas relações com os emigrantes; em que êstes influiram por leis e comércio, e comunicação, sôbre os índios; e qual a parte que toca aos boçais filhos da terra no desenvolvimento das relações sociais dos portuguêses emigrados.
Ainda não há muito tempo que era opinião geralmente adotada que os indígenas da América foram homens diretamente emanados de mão do Criador. Consideravam-se os. aborígenes do Brasil como uma amostra do desenvolvimento possível do homem privado de qualquer revelação divina, e dirigido na vereda das suas necessidades e inclinações físicas ùnicamente por sua razão instintiva. Enfeitado com as côres de uma filantropia e filosofia enganadora, consideravam êste estado como primitivo do homem; procuravam explicá-lo, e dêle derivavam os mais singulares princípios para o direito público, a religião e a história. Investigações mais aprofundadas porém provaram ao homem desprevenido que aqui não se trata do estado primitivo do homem, e que pelo contrário o triste e penível quadro, que nos oferece o atual indígena brasileiro, não é senão o resíduo de uma muito antiga, pôsto que pèrdida história.
Logo que nós tivermos penetrado desta convicção, estende-se o passado da raça americana para uma época encoberta de oscuridão; e esclarecela será tarefa tão espinhosa quão cheia de interêsse. A vereda que o historiador deve trilhar neste campo não pode ser outra senão esta: Em primeiro