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Página:Como se deve escrever a história do Brasil.pdf/16

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em armas em oposição às autoridades governativas, e poderosas ordens religiosas. De outro lado achamos também nisso a causa dos sucessos das armas portuguêsas contra diversos invasores, os franceses no Maranhao e Rio de Janeiro, os holandeses em uma grande parte da Costa Oriental.

O Português, estabelecendo-se no Brasil, abandonou de certo modo os direitos que em Portugal possuía para com o Monarca, por quanto, em lugar de um Rei, recebia um Senhor (Dominus Brasiliae) Nisso mesmo existia o motivo para os colonos de jamais deporem as armas, estarem em cada momento prontos a combater, e dirigirem-se sempre armados dos diferentes pontos do litoral, onde a princípio se estableceu a civilização européia mais e mais para o interior, aonde ninguém reconheciam acima de si, venciam os índios à fôrça d'armas, ou induziam-nos com astúcia para servi-los.

Assim vemos que a posição guerreira, em que se colocou o colono português para com o índio, contribuiu muito a rápida descoberta do interior do país, como igualmente para a extensão do domínio português. A natureza particular do país, principalmente a abundância de ouro, não era de pequeno momento; por quanto as primeiras viagens de descoberta eram antes incursões de rapina contra os indígenas, a quem escravizaram, ou só tinham por feito a descoberta de riquezas minerais.

Enfim não devemos julgar a emigração de colonos portuguêses para o Brasil, como ela se operava no século XVI, e que lançou os primeiros fundamentos do atual Império, segundo os princípios que entre nós regulam as emprêsas de colonização. Hoje em dia as colonizações são, com poucas exceções, emprêsas de particulares, e nascem quase exclusivamente da necessidade de trocar uma posição pobre e apertada, por outra mais livre e agradável. Estas emigrações quase só têm lugar nas classes dos agricultores e artistas, e quase nunca nas dos nobres ou abastados. Mas assim não aconteceu nos primeiros tempos da colonização do Brasil. Elas eram então uma continuação dessas emprêsas afoitas e grandiosas, dirigidas para a Índia, e executadas ao mesmo· tempo por príncipes, nobres, e povo; dessas emprêsas que tornaram a nação portuguêsa tão famosa como rica.-Também não nasceu, êsse desejo de emigrar, de crises religiosas, como por exemplo aconteceu em Inglaterra; êle era antes uma conseqüência das grandes descobertas e emprêsas comerciais dos portuguêses sôbre a Costa Ocidental da África, do Cabo, Moçambique e Índia. As mesmas razões gerais e poderosas, que imprimiram a uma das nações mais pequenas de Europa um movimento tão poderoso, que a impeliram para uma atividade que faz época na história universal, induziram-na igualmente à emigração para o Brasil.

Com esta observação quero indicar que o período da descoberta e colonização primitiva do Brasil não pode ser compreendido, senão em seu