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Página:Como se deve escrever a história do Brasil.pdf/19

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etnografia dos indígenas, quanto para a história dos costumes do habitante europeu. Em geral, devemos reconhecer que a atividade de tôdas estas ordens não era desfavorável ao Brasil. Nós vemos muitas vêzes que elas eram os únicos motores de civilização e instrução para um povo inquieto e turbulento. Outras vêzes nós vemos elas proteger os oprimidos contra os mais fortes. Por isso não podem ser compreendidas as numerosas querelas e rixas nas municipalidades das cidades ( como v. g. se acham em grande número referidas na Crônica do Maranhão por Berredo) , sem referência para com o clero, e especialmente com as ordens, com a fundação de seus conventos ( casas conventuais), hospícios, missões no interior do país, e especulações mercantis por elas empreendidas. A oposição dos colonos para com estas em geral filantrópicas ordens muitas vêzes nascia do conflito de interêsses sociais, nos quais aquêles se consideravam ligados por estas.

O govêrno português mostrou-se em geral muito vigilante da influéncia das ordens religiosas sôbre a população, e cuidava dos direitos da coroa com alguma desconfiança. Daí emanou a proibição de fundarem-se conventos na Província de Minas, e a história da supressão da ordem dos Jesuítas explica-se no que diz respeito a Portugal, pela posição adquirida pelos Jesuítas no Pará; e o que diz respeito à Espanha, por certas ocurrências em Paraguai; de sorte que êste acontecimento, que faz época na história universal, se acha profundamente enraizado na história do Brasil.

Uma tarefa de sumo interêsse para o historiador pragmático do Brasil será mostrar como aí se estabeleceram e desenvolveram as ciências e artes como reflexo de vida européia. O historiador deve transportar-nos à casa do· colono e cidadão brasileiro; êle deve mostrar-nos como viviam nos diversos séculos, tanto nas cidades como nos estabelecimentos rurais, como se formavam as relações do cidadão para com seus vizinhos, seus criados e escravos; e finalmente com os fregueses nas transações comerciais. Êle deve juntar-nos o estado da igreja, e escola, levar-nos. para o campo, às fazendas, roças, plantações e engenhos. Aqui deve apresentar quais os meios, segundo que sistema, com que conhecimentos manejavam a economia rústica, lavoura e comércio colonial.

Não é destituído de interêsse saber-se como e aonde se introduziram pelos colonos, pouco a pouco, árvores e plantas européias; como, pouco a pouco, se desenvolveu o sistema presente; qual a parte que em todos êstes movimentos tiveram a construção naval, a navegação e o conhecimento dos mares, principalmente daqueles que foram sulcados pelos portuguêses.

As observações sôbre as escolas no Brasil, sôbre o método do ensino então aí reinante, o grau de instrução obtido por êle, há de conduzir outra vez a indagações sôbre o estado das letras na Mãe Pátria. Por isso, pertence à tarefa do historiador brasileiro ocupar-se especialmente com o progresso