da poesia, retorica, e tôdas as mais ciencias em Portugal, mostrar a sua posição relativa as mesmas no resto da Europa, e apontar qual a influêcia que exerceram sôbre a vida científica, moral e social dos habitantes do Brasil.
Enfim, pertence também a vida militar em Portugal aos assuntos de um perfeito quadro histórico. Qual a maneira e modo empregados no recrutamento, instrução, comando e serviço do exército, os princípios estratégicos, segundo os quais se devia proceder no Brasil, um país tão diferente da Europa: tudo isso deve ser tomado em consideração em uma história pragmática do país. Relativamente às guerras com os holandeses, não nos faltam semelhantes notícias. Mas pelo contrário o que diz respeito a essas viagens belicosas de descoberta no interior do Brasil, principalmente dos mamalucos de S. Paulo e suas guerras com espanhóis; e os missionários em Paraguai, carece ainda ser esclarecido, por acharem-se os poucos documentos escritos relativos ainda sepultados pela maior parte nos arquivos das diferentes cidades e vilas.
Em quanto as crônicas da maior parte dos lugares mais consideráveis ocupam-se muitas vêzes com grande monotonia de acontecimentos de nenhuma importância relativos à comunidade, achará o historiador um atrativo variadíssimo na narração das numerosas viagens de descobertas e incursões dos diferentes pontos do litoral para os desertos longínquos do interior (os sertões), empreendidas em procura de ouro e pedras preciosas, ou com o fim de cativar e levar como escravos os indígenas. Essas entradas foram pela mejor parte executadas espontâneamente por pessoas, as quais animadas por um certo espírito romanesco e aventureiro, nelas desenvolveram tôda a energia, talento inventivo, perseverança e coragem de um Cortez, Balboa ou Pizarro, e executaram façanhas dignas de admiração da posteridade. É muito para desejar que pesquisas rigorosas nos arquivos das cidades nos subministrassem maior cópia de documentos semelhantes àquelles que referem as Aventuras Românticas de Bartolomeu Bueno da Silva, descobridor de Goiás, 19 de setembro de 1740, aventuras dignas de inspirar tanto a fantasia do poeta épico, como a musa mais tranqüila do historiador. Para a descrição destas viagens de descoberta, apresenta-se uma grande dificuldade na falta de datas exactas geográficas, que designassem com precisão os caminhos tomados por tais expedições. Custa-nos acreditar que estas incursões percorressem muitos lugares, que atualmente não são mais visitados e inteiramente perdidos para nós, como p. ex. êsse fabuloso vale pedregoso e riquíssimo em ouro dos Martírios; contudo, uma designação em tudo exata da direção dos caminhos entao percorridos, não havia de ser sem interêsse para a geografia, etnografia, e em alguns casos também para a exploração das riquezas da natureza, de muitas regiões ainda hoje quase desconhecidas.