grande número de fatos e circunstâncias insignificantes, que com monotonia se repetem, e a relação minuciosa até o excesso de acontecimentos que se desvaneceram sem deixarem vestígios históricos, tudo isso, recebido em uma obra histórica, há-de prejudicar o interêsse da narração e confundir o juizo claro do leitor robre o essencial da relação. O que avultará repetir-se o que cada governador fêz ou deixou de fazer na sua província, ou relacionar. tatos de nenhuma importância histórica, que se referem à administração de cidades, municípios ou bispados, &c.; ou uma escrupulosa acumulação de citações e autos que nada provam, e cuja autenticidade histórica é por vêzes duvidosa?-tudo isso deverá, segundo a minha opinião, ficar excluído.
Aqui se apresenta uma grande dificultade em conseqüência da grande extensão do território brasileiro, da imensa variedade no que diz respeito à natureza que nos rodeia, aos costumes e usos e à composição da população de tão disparatados elementos. Assim como a província do. Pará tem clima inteiramente diferente, outro solo, outros produtos naturais, outra agricultura, indústria, outros costumes, usos o precisões, do que a província do Rio Grande do Sul; assim acontece igualmente com as províncias da Bahia, Pernambuco e Minas. Em uma predomina quase exclusivamente a raça branca, descendente dos portuguêses; na outra tem maior mistura com os índios; em uma terceira ~anifesta-se a importância da raça africana; enquando influía de um modo especial sôbre os costumes e o estado da civilização em geral. O autor, que dirigisse com preferência as suas vistas sôbre uma destas circunstâncias, corria perigo de não escrever uma história do Brasil, mas sim uma série de histórias especiais de cada uma das províncias. Um outro porém, que não desse a necessária atenção a estas particularidades, corria risco de não acertar com êste tom local que é indispensável onde se· trata de despertar no leitor um vivo interêsse, e dar às suas descrições aquela energia plástica, imprimir-lhe aquêle fogo, que tanto .admiramos nos grandes historiadores.
Para evitar êste conflito, parece necessário que em primeiro lugar seja em épocas, judiciosamente determinadas, representando o estado do país em geral, conforme o que tenha de particular em suas relações com a Mãe Pátria, e as mais partes do Mundo; e que, passando logo para aquelas partes do país que essencialmente diferem, seja realçado em cada uma delas o que houver de verdadeiramente importante e significativo para a história. Procedendo assim, não se devia certamente principiar de novo em cada Província; mas omitir, pelo contrário, tudo aquilo que em todas, mais ou menos, se repetiu. Portanto, deviam ser tratadas conjuntamente aquelas porções do país que, por analogia da sua natureza física, pertenecem umas às outras. Assim, por exemplo, converge a história das Províncias de S. Paulo, Minas, Goiás e Mato Grosso; a do Maranhão se liga à do Pará,