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Página:Como se deve escrever a história do Brasil.pdf/25

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republicanos de todas as côres, ideólogos de rôdas as qualidades. É justamente entre êstes que se acharão muitas pessoas que estudarão com interêsse uma história de seu país natal; para êles, pois, deverá ser calculado o livro, para convencê -los por uma maneira destra da inexiquibilidade de seus projetos utópicos, da inconveniência de discussões licenciosas dos negócios públicos, por uma imprensa desenfreada, e da necessidade de uma monarquia em um país onde há um tão grande número de escravos. Só agora principia o Brasil a sentir-se como um Todo Unido. Ainda reinam muitos preconceitos entre as diversas Províncias: êstes devem ser aniquilados por meio dé uma instrução judiciosa; cada uma das partes do Império deve tornar-se cara às outras; deve procurar-se provar que o Brasil, país tão vasto e rico em fontes variadíssimas de ventura e prosperidade civil, alcançará o seu mais favorável desenvolvimento, se chegar, firmes os seus habitantes na sustentação da Monarquia, a estabelecer, por uma sábia organização entre tôdas as Províncias, relações recíprocas. Enquanto não poucas vêzes acontecerá que os estrangeiros tentem semear a cizania entre os interêsses das diversas partes do país, para assim, conforme ao divide et impera, obter maior influência nos negócios do estado; deve o historiador patriótico aproveitar tôda e qualquar ocasião a fon de mostrar que tôdas as Províncias do Império por lei orgânica se pertencem mùtuamente, que seu propício adiantamento só pode ser garantido pela mais íntima união entre elas. Justamente na vasta extensão do país, na variedade de seus produtos, ao mesmo tempo que os seus habitantes tem a mesma origem, o mesmo fundo histórico, e as mesmas esperanças para um futuro lisongeiro, acha-se fundado o poder e grandeza do país. Nunca esqueça, pois, o historiador do Brasil, que para prestar um verdadeiro serviço à sua· pá tria deverá escrever como autor monárquico-constitucional, como unitário no mais puro sentido da palavra. Daqui resulta que a obra, a qual não devia exceder a um só forte volume, deverá ser escrita, em um estilo popular, posto que nobre. Deverá satisfazer não menos ao coração do que à inteligência; por isso, não devia ser escrita em uma linguagem do ... e empolada, nem sobrecarregada de erudição ou de uma multidão de citações estéreis. Evitará não menos ter o caráter de uma crônica, do que de investigações históricas, sêcas e puramente eruditas. Como qualquer história que êste nome merece, deve parecer-se com um Epos! Só de um lado é verdadeiro que a Epos popular só é composto onde o povo ainda se acha em desenvolvimento progresivo, então do outro lado não podemos duvidar que atualmente o Brasil é um objeto digno de uma história verdadeiramente popular, tendo o país entrado em uma fase que exige um progresso poderoso; por isso; uma história popular do país vem muito a propósito, e possa seu autor, nas muitas conjunturas favoráveis que o Brasil oferece, achar um feliz estímulo, para que imprima à sua obra todo o seu amor, todo o zêlo patriótico,