as expedições científicas do século XIX, e Martius nela figurou como a estrela mais evidente e mais iluminadora.
A relação da Viagem foi feita em três grossos volumes, tendo sido o primeiro publicado em 1823 e o último em 1831.8
Para a historiografia, a Viagem e seu ensaio "Como se deve escrever a História do Brasil" são as duas mais importantes contribuições.
A Viagem contem numerosíssimas observações botânicas, zoológicas, geográficas, etnográficas, psicológicas e históricas, cuja importância, acertos e equívocos foram assinalados pelos competentes. 3 4 5 6 7Do ponto de vista psicológico; apesar das censuras levantadas por Herbert Baldus em relação aos índios, de que Martius era péssimo psicologo,9 não se deve esquecer que muitas de suas anotações sôbre a gente brasileira, suas formas psicológicas, seu comportamento, a posição da mulher, representam as primeiras páginas de um retrato impressionista do povo brasileiro, antes inteiramente alheiado das preocupações dos cronistas.
Nos modernos estudos sôbre as características nacionais, não se pode deixar de lado o brasileiro do principio do século XIX visto por Martius, e, de certo modo, aproveitado por Capistrano de Abreu nos seus Capítulos de História Colonial.10
Martius notou que a considerável imigração portuguêsa, além da vinda de bom número de ingleses, franceses, holandeses, alemães e italianos, que depois da abertura dos portos (1808) aqui se estabeleceram, imprimiu mudança nas características dos habitantes. Para êle, o estabelecimento da Côrte fez acender em todos os brasileiros o sentimento de patriotismo e a “constituição colonial de duzentos anos [na verdade trezentos] deixou impressão forte demais no carater do brasileiro, para que êle pudesse já agora devotar-se com a mesma energia que induz o europeu aos sérios labores da indústria, da arte e das ciências, que asseguram a fôrça íntima de um Estado”. Esse desamor pelo trabalho, tão observado mais tarde por historiadores e sociólogos, ligava-se ao “gôsto pela comodidade, pelo luxo, e pelas formas agradáveis da vida exterior, que se espalhou aqui mais ràpidamente que o amor pelas artes e pelas ciências". Notava, ainda, a pequena inclinação portuguêsa para as ciências e que entre os naturais eram os mulatos os que manifestavam maior capacidade e diligência para as artes mecânicas e extraordinário talento para a pintura. Nas peculiaridades regionais, assinalava que o paulista se distinguia pela sua fidelidade e