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Página:Como se deve escrever a história do Brasil.pdf/5

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obediência, e gozava, em todo o Brasil, da fama de grande franqueza, coragem invencível e romântico pendor para afrontar venturas e perigos; com êsses dotes generosos, o carater paulista adquiria também um traço de impetuosidade nas cóleras e vinganças, de orgulho e inflexibilidade e, por essa razão, era temido pelos vizinhos e o estrangeiro não via no seu modo altivo siñão seriedade fria e carater. O orgulho dos paulistas pode ser desculpado apenas pelo fato de poderem êles gabar-se de que as façanhas de seus antepassados lhes dão direitos sôbre a parte nova do mundo, direitos que não tem o colono europeu. Com razão considerava o paulista como a mais forte, saudável e enérgico habitante do Brasil. Aí estava, nestes traços psicológicos, o pionerismo progressista dos bandeirantes. Reparava que o gôsto pelo luxo europeu não se desenvolvera tanto entre os paulistas quanto entre baianos e pernambucanos, e que o jogo era menos frequente em São Paulo. A educação e os costumes eram os da Mãe Pátria, modificados pela influência da literatura francesa, ou inglesa, pelas experiências da vida e pelo conhecimento ou desconhecimento da Europa. As divergências políticas eram maiores na Bahia e em Pernambuco, havendo numa das duas camadas em que se dividia a opinião naquela primeira Província um maior apêgo a Portugal e à conservação das leis e praxes portuguêsas. Estabelece valiosas relações entre a alimentação e a ocupação, com o gênio alegre ou entristecido. Nota, em certos trechos, as preponderâncias portuguêsas sôbre as brasileiras, as indígenas, especialmente o desamor ao trabalho sistemático e os malefícios do contacto dos europeos sôbre os índios. Diferenças regionais, de gênio e temperamento, ou de carater, como melhor se diria hoje; não escapam ao olho clínico de Martius, que escreveu não se encontrar "na população de Belem nem a ação espirituosa do trato desembaraçado do pernambucano, nem a expedita atividade comercial do baiano, prático, sólido, nem a delicadez insinuante do maranhense, o donaire cavalheiresco do mineiro, nem o gênio afável e franco do paulista. O paraense é homem do hemisfério sul, a quem o ardor do sol equatorial embota a característica vivacidade do temperamento meridional".

A Viagem de Martius representa, assim, sob o aspecto humano, uma grande contribuição ao estudo psico-social da gente brasileira. Foi, sobretudo, a Viagem, que lhe perpetuou o nome entre os brasileiros, pois a Flora, apesar de seu monumental subsídio, era um livro para naturalistas eruditos.

A Viagem adquire, com o passar do tempo, maior expressão como fonte histórica de primordial significação. E' uma descrição viva do Brasil entre 1817 e 1820. Na bibliografia exotico-brasileira, essa obra ocupa um lugar destacado, de difícil comparação.

Na historiografia, é seu programa filosófico-metodológico “Como