contribuição das três raças na história brasileira. E' o primeiro a dizer que seria um êrro, em face de todos os princípios da historiografia, desprezar as fôrças dos indígenas e dos negros importados, fôrças essas que igualmente concorreram com o elemento europeu para o desenvolvimento físico, moral e civil da totalidade da população. Lembra, então, a necessidade de se estudar os indígenas, seus costumes, seus usos, sua língua; de se ter sempre em ·conta, ao estudar o papel dos portuguêses, que o período do descobrimento e colonização primitiva do Brasil não poderia ser compreendido sinão em conexão com as suas façanhas marítimas, comerciais e guerreiras, e jamais deveria ser considerado como fato isolado na história; que o historiador do Brasil jamais deveria perder de vista, na história da colonização e do desenvolvimento civil e legislativo do país, os movimentos do comércio universal de então, incorporando-os mais ou menos extensamente à nossa história.
Apontou, ainda, a necessidade de se estudar a história da legislação e do estado social da nação portuguêsa, para poder mostrar como nela se desenolveram pouco a pouco instituições municipais tão liberais como as que foram transplantadas para o Brasil, e averiguar quais as causas que concorreram para o seu aperfeiçoamento neste país. Acentuou o papel dos jesuitas e mostrou ser necessário estudar-se o desenvolvimento das relações eclesiásticas e monacais. Indicou como uma das tarefas de maior interêsse mostrar como se estabeleceram e desenvolveram as ciências e artes, como reflexa da vida européia. Sem esquecer-se dos menores detalhes, Martius acrescentava que se devia mostrar como viviam os colonos, transportando o leitor para suas casas, tanto na cidade como nos estabelecimentos rurais, fossem êles cidadãos ou escravos. Para evitar o conflito das histórias especiais de cada provincia, que então se andava propondo, lembrava que melhor seria tratar conjuntamente daquelas porções do país que, por analogia de sua natureza física, pertencessem umas ãs outras, ou seja, que se fizessem histórias dos grandes grupos regionais. Assim, por exemplo, propunha a convergência da história das possessões de São Paulo, Minas Gerais, Goiás e Mato Grosso; a do Maranhão e Pará; a de Pernambuco com o Ceará, Rio Grande do- Norte e Paraíba; a história de Sergipe, Alagoas e Pôrto Seguro não poderia ser escrita sem a da Bahia. Era, assim, a primeira sugestão de história regional que se fazia no nosso país.
E' evidente que se Martius não propôs classificação alguma de épocas ou períodos, suas idéias serviram muito para daí em diante relacionaremse os fatos, agrupá-los e, portanto, dividí-los sob melhor critério. O parecer do Instituto Histórico que decidiu dos dois planos que concorreram ao prêmio, e de que foi relator Freire Alemão.13grande naturalista brasileiro,