Página:Contos Populares Portuguezes colligidos por F. Adolpho Coelho.pdf/158

Wikisource, a biblioteca livre
Saltar para a navegação Saltar para a pesquisa
— 122 —

que fosse Jorge á sua presença que o queria nomear general das armas e dar-lhe a sua filha em casamento.

No entanto andava o irmão de Jorge de terra em terra em busca de aventuras e um dia notou que o ramo de manjericão estava murcho e foi logo ter á terra onde estava Jorge, pois receava que elle corresse perigo. Chegado lá logo o encontrou e elle lhe contou tudo quanto tinha passado e como o rei o queria fazer general e dar-lhe a sua filha em casamento, e disse-lhe mais ainda: «Meu irmão, tu sabes perfeitamente que eu em virtude dos votos que fiz não posso casar-me; vae pois tu ter com o rei, apresenta-lhe esta cabeça que é uma das sete que tinha a bicha que eu matei e como tu és muito parecido commigo o rei julgará que sou eu e dar-te-ha a sua filha em casamento, e depois d'isto concluido dirás ao rei que me faça general, pois desejo ganhar fama pelas armas.» Tudo assim se fez e Jorge fez taes façanhas pela patria e foi sempre tão virtuoso que mereceu depois da sua morte ser canonisado.

(Coimbra.)




LIII


OS SIMPLORIOS


Era uma vez uns paes que tinham tres filhas faltas da pinha; vinha lá um rapaz que queria casar com uma d'ellas, mas nem o pae nem a mãe queriam que ellas fallassem para lhe não conhecerem a toleima. Disse uma deante do namorado: «Oh fulana! o caldo vae-se». Disse a outra: «Tira-le o telo e mete-le a toler». «Disse minha mãe que não fallasses tu.» Depois disse elle: «Pois