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fidalgos da côrte, e que estes viessem com suas familias. A rainha não podendo adivinhar qual fosse o motivo d'este desejo, disse comtudo ao principe que sim. O conde não queria por modo algum levar a filha a palacio, mas como a ordem era expressa não teve remedio senão obedecer. A filha vestiu-se exactamente como no dia em que pela primeira vez viu o principe, e foram para o palacio. O principe olhava com avidez para todas as damas que entravam, mas assim que as via perto de si, não lhes dava mais attenção. No momento em que se lhe approximou a filha do conde, em vez de lhe extender a mão, levantou-se e apertando-a nos braços, exclamou: «Minha mãe, aqui tendes a princeza, que desejo para esposa.»

Immediatamnte a rainha deu ordem á sua côrte para comparecer ao casamento, e no outro dia a filha do conde casou com o principe.

(Lisboa).




LXV


A VELHA FADADA


Havia duas velhas muito feias, que ambas queriam casar. Como eram, porém, muito feias não fallávam nem appareciam a ninguem. Punham uns annuncios na porta, mas se acaso vinha alguem procural-as para o effeito desejado, elllas mandavam dizer que só appareceriam na occasião de irem para a Egreja. Houve um homem que as quiz conhecer e tractou o casamento com uma d'ellas. A velha disse que sim e, chegando ao dia da boda, fez-se muito bonita e foi para a Egreja. Quando veio de lá