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creada, foi abrir a porta, e levou-os para o quarto. Depois a beata beijava os pés do sapateiro e dizia:


«Ai, meu Deus, meu tudo!
Até pelas pernas,
Sois cabelludo!»


Depois comeram todos muito doce, e beberam muitos licores, a pontos de já não saberem onde tinhão as cabeças; e despediram-se então da beata, e elle foi acompanhal-os até á porta da rua; alli começaram á pancada, fazendo tal desordem que ficaram todos com as cabeças partidas.

(Coimbra).




LXXII


O PRETO E A LAMPADA DE SANTO ANTONIO


Certo preto tinha por costume ir todos os dias molhar o pão na lampada de Santo Antonio; e dizia:

«Santo Antoninho estaes só?
«Deixaes-me molhar o pão,
«No vosso grijó?

O sachristão da capella ia sempre achar a lampada secca, até que se resolveu um dia espreitar quem ia beber o azeite.

O preto voltou e tornou a dizer:

«Santo Antoninho estaes só?
«Deixaes-me molhar o pão,
«No vosso grijó?