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CONTOS POPULARES DO BRAZIL

léo voltou conheceu que alli tinha estado bicho homem; a moça o dissuadiu, e quando elle se acalmou, ella lhe perguntou onde estava a sua vida. O monstro zangou-se muito, e disse: «Ah! tu queres saber de minha vida mais o teu marido para darem cabo de mim!… Não te digo, não…»

Passaram-se dias, sempre a moça instando. Afinal, elle foi amolar um alfange, dizendo: «Eu te digo onde está a Minha vida; mas se eu sentir qualquer incommodo, conheço que ella vai em perigo, e, antes que me matem, mato a ti primeiro, queres?!»

A princeza respondeu que sim. O Manjaléo amolou o alfange, e disse-lhe: «Minha vida está no mar; dentro d'elle ha um caixão, dentro do caixão uma pedra, dentro da pedra uma pomba, dentro da pomba um ovo, dentro do ovo uma vela; assim que a vela se apagar eu morro.» O bicho sahiu e foi procurar fructas; chegou o principe, soube de tudo e foi-se embora. O Manjaléo veiu e deitou-se no collo da moça com o alfange alli perto. O principe chegou com a sua bota á praia do mar n'um instante; lá pegou na escama, que tinha, e disse: «Valha-me o rei dos peixes!» De repente uma multidão de peixes appareceu, indagando o que elle queria.

O principe perguntou por um caixão que havia no fundo do mar; os peixes disseram que nunca o tinham visto, e só se o peixe do rabo cotó soubesse. Foram chamar o peixe do rabo cotó, e este respondeu: «N'este instante dei uma encontroada n'elle.» Todos os peixes foram e botaram o caixão para fora. O principe o abriu e deu com a pedra; ahi pegou na lanzinha e disse: «Valha-me o rei dos carneiros!» De repente appareceram muitos carneiros e entraram a dar marradas na pedra. O Manjaléo lá começou a sentir-se doente, e dizia: «Minha vida, princeza, corre perigo!» E pegou no alfange; a moça o foi dissuadindo e engam-