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CONTOS POPULARES DO BRAZIL

condão que lhe désse uma linda carruagem e um vestido da côr do campo com todas as suas flôres. Assim foi, e a mulher seguiu. Depois elle pediu a mesma cousa para si e lá se apresentou com tanta rapidez que a mesma mulher não podia pensar que fosse elle. As duas irmãs casadas que a princeza tinha, com inveja, e desconfiadas, estando na egreja, diziam escarnecendo: «Com um moço assim é que tu devias ter casado e não com um negro.» Ella recebeu tudo com tristeza. No segundo dia de festa, o negro pediu á varinha de condão que fizesse apparecer uma carruagem inda mais rica e um vestido côr do mar, com todos os seus peixinhos, e para elle a mesma cousa, tudo isto sem a mulher saber; e quando voltaram todos da festa, já elle estava no palacio aquentando fogo com sua roupa de negro. No terceiro dia pediu uma carruagem ainda mais rica e um vestido da côr do céo com todas as suas estrellas, e o mesmo para elle. N'este mesmo dia houve festa em palacio e foram convidados todos os genros do rei e mais mulheres, que se apresentaram muito ricamente vestidas. Então o preto apresentou-se na sua côr verdadeira, e nos mesmos trajos com que estava no dia em que ferrou os cunhados, por seus captivos. Elles ficaram muito espantados, e ainda mais quando o moço foi chamado para a mesa, e disse que não se assentava na mesma mesa com os seus captivos. Então o rei lhe perguntou quaes eram alli os seus escravos, e elle apontou para os seus dous concunhados que estavam ferrados nos quartos, como el-rei podia examinar. O sogro os chamou para uma camarinha, e lá ficou convencido da realidade, sendo que as mulheres dos dous moços se atiraram da varanda do palacio abaixo, e elles as acompanharam, ficando o rei tão desgostoso, que era pouco tempo morreu, ficando o pai Gaforino senhor de todo o reino.